Educação Superior


Construção do projeto


Em 2002, na Assembléia Geral da OGPTB, os professores ticunas debateram extensamente a continuidade de seus estudos, ficando clara a necessidade e urgência da criação de um curso de nível superior específico para que possam assumir integralmente a condução do processo educacional em suas escolas e garantir a oferta de níveis mais avançados de ensino nas próprias aldeias.

A partir de então, a OGPTB promoveu entre 2003 e 2005 diversos encontros e reuniões para discutir a primeira versão do projeto e o detalhamento da segunda versão, contando com a participação de professores e lideranças indígenas de vários municípios.

O projeto do curso baseou-se nas leis que asseguram aos povos indígenas a elaboração de seus próprios programas educacionais, nos projetos de cursos de licenciatura para professores indígenas já em andamento (em Mato Grosso e Roraima), nos debates mais recentes a respeito do Ensino Médio para as escolas ticunas, mas, principalmente, na longa experiência da OGPTB no desenvolvimento de projetos educacionais. O Curso de Licenciatura é, portanto, o resultado de uma trajetória de 20 anos de luta e conquistas da OGPTB, cujas ações vêm construindo uma nova história da educação escolar indígena na região.

Além das primeiras discussões realizadas em fevereiro de 2002, foram promovidos pela OGPTB mais três encontros: em agosto de 2003 (apoio MEC e FUNAI); em novembro de 2004 (apoio FUNAI) e em dezembro de 2005 (apoio PRAIA/FIDA). Em todos eles houve expressiva participação de professores e lideranças indígenas de vários municípios do Alto Solimões.

Em 2004 a OGPTB apresentou à Universidade Estadual do Amazonas (UEA) uma proposta de implementação conjunta do curso de licenciatura, em audiência com o Reitor Lourenço dos Santos Pereira Braga, da qual participaram Constantino Ramos Lopes (membro da OGPTB) e Bonifácio José (Diretor-presidente da Fundação Estadual de Política Indigenista do Amazonas). A primeira versão do projeto foi encaminhada à UEA em abril de 2004 e aprovada por esta universidade em agosto de 2005.

O Curso de Licenciatura para Professores Indígenas do Alto Solimões habilitará 250 professores indígenas. Por decisão da Assembléia da OGPTB, 20 dessas vagas foram destinadas a professores das demais etnias que habitam a região, como os kokámas, cambebas, caixanas, entre outras, com a condição de os candidatos residirem e trabalharem nos municípios de Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins.

O curso é composto de 10 etapas, desenvolvidas preferencialmente no período das férias escolares, devendo funcionar nas dependências do Centro de Formação de Professores Ticunas - Torü Nguepataü (aldeia de Filadélfia, município de Benjamin Constant).



Projeto do Curso de Licenciatura apresentado pela OGPTB à Universidade do Estado do Amazonas (UEA)


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