Produção de material didático


A preparação dos livros ou de outros materiais envolve um minucioso trabalho de pesquisa, revisão e aplicação de versões experimentais antes da publicação. Esse processo tem a participação dos professores, artistas, contadores de histórias, lideranças e estudantes, com assessoria da equipe de consultores da OGPTB.

Alguns materiais destinam-se às atividades cotidianas em sala de aula, como instrumento de apoio aos professores e/ou pesquisa e estudos de seus alunos. Outros apresentam temas de maior amplitude para serem trabalhados além do espaço da escola como, por exemplo, os livros, apostilas e cartazes que tratam de meio ambiente e saúde.

Há ainda aqueles produzidos nas próprias escolas pelos professores indígenas e seus alunos, como pequenos livros, cartazes, jogos, materiais de contagem, gravações de histórias ou de músicas.




Publicações



O Livro das Árvores

Publicado pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües, Benjamin Constant, 1997.



Com pesquisas, ilustrações e textos elaborados pelos professores ticunas durante várias etapas dos cursos de formação, O Livro das Árvores tem percorrido os mais diferentes e insuspeitados caminhos.

Além de seu uso nos cursos e nas escolas ticunas em atividades desenvolvidas nas diversas áreas do conhecimento - o livro é utilizado em muitas escolas indígenas e dos não-índios. Também está presente no acervo de inúmeras bibliotecas do Brasil e de outros países.

O Livro das Árvores recebeu os prêmios de Melhor Livro Informativo e Melhor Projeto Editorial conferidos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil em 1997.

Em 1999, o livro foi selecionado pelo Ministério da Educação para compor o acervo de 110 títulos do Programa Nacional Biblioteca na Escola, sendo distribuído para 36 mil escolas públicas.

Em 2008 foi lançada a 6ª. edição do livro, agora publicado pela Global Editora e pode ser adquirido através do site da editora e em livrarias de todo o país.




Werigü arü ae

Publicado pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües / Ministério da Educação, 2002.



O livro Werigü arü ae (canto dos pássaros) apresenta histórias sobre diferentes pássaros da região, narradas por Getúlio Nino Ataíde - exímio conhecedor da cultura ticuna. Com textos na língua ticuna, o livro destina-se, prioritariamente, ao estudo da escrita dessa língua nas primeiras séries do Ensino Fundamental, mas também possibilita o acesso das crianças a aspectos da cultura e a questões ambientais de conservação da fauna. Getúlio diz na introdução: "Aí imaginei que seria bom fazer um livro com histórias pequenas, próprias para as crianças que estão começando na escrita da nossa língua. Nós, Ticunas, gostamos de escutar os pássaros na mata. Então a gente se lembra das histórias. Enquanto estou vivo, quero passar para as crianças as histórias que aprendi com meu pai e com meus avós. Quero que as crianças fiquem com esse saber e nunca esqueçam a nossa língua."




Cururugü tchiga

Publicado pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües / Ministério da Educação, 2002.



Com textos na língua ticuna, o livro Cururugü tchiga (histórias de sapos) também se destina ao Ensino Fundamental, contendo, ao mesmo tempo, informações que ampliam o conhecimento sobre a natureza e a cultura. Segundo a apresentação feita pelos narradores, "neste livro nós contamos a história de alguns sapos que existem nessa região. Lendo as histórias, os alunos vão conhecer o cururu que se transforma em peixe, o cururu que serve para comer, o cururu que traz alguns segredos; quando os sapos cantam e quando eles não cantam, onde eles aparecem e onde se escondem. Através das histórias e dos desenhos, os alunos vão começar a enxergar esses sapos. Neste livro trazemos para a escola o nosso conhecimento, a nossa arte, a nossa língua".




Livro de Saúde Bucal

Publicado pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües / Ministério da Educação, 2002.



"A proposta geral deste livro é que ele possa contribuir para a autonomia dos Ticunas em relação aos cuidados com a sua saúde. Procurou-se tratar a saúde bucal não como uma área isolada, mas relacionando-a com outras questões fundamentais à promoção da saúde em geral, tais como: a conservação dos recursos naturais, a defesa da terra, a produção de alimentos, as mudanças dos hábitos alimentares, entre outras.
Ainda que não abranja todos os conteúdos referentes à saúde bucal, estão aqui contempladas, também, as doenças bucais mais freqüentes, de modo que os Ticunas possam participar do controle dessas doenças.
A metodologia de trabalho incluiu a produção de materiais didáticos - como este livro, cartazes, jogos - pelos próprios professores, os quais têm permitido que as orientações possam ser multiplicadas não apenas na escola, mas também entre as famílias dos alunos e outras pessoas da comunidade.
Algumas oficinas contaram com a participação dos dentistas e agentes indígenas de saúde bucal que atuam no Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Solimões, com a finalidade de estabelecer uma maior articulação entre as ações da OGPTB e do DSEI e garantir uma mesma orientação quanto aos procedimentos propostos.
A escovação tem merecido destaque especial, trabalhando-se continuamente na sensibilização dos professores sobre sua importância. Passou, assim, a fazer parte da rotina escolar, atingindo mais de oito mil alunos de escolas ticunas pertencentes aos municípios de Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá e Santo Antônio do Içá."

Equipe técnica (extraído da apresentação do livro)




Ngiã nüna tadaugü i torü naãne - Vamos cuidar da nossa terra

Publicado pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües, 2006.



O livro Ngiã nüna ta daugü i torü naane foi construído ao longo de três anos do projeto Educação ambiental e Uso Sustentável da Várzea em Áreas Indígenas Ticunas do Alto Solimões, uma iniciativa da OGPTB, com apoio do ProVárzea / IBAMA/MMA. Ele é o resultado de extensa pesquisa desenvolvida por um grupo de professores ticunas e revela o profundo conhecimento desse povo sobre seu meio ambiente, a complexa simbologia de suas práticas e meios produtivos. É também uma possibilidade sem igual de adentrar no imaginário e sensibilidade de seus olhares, a partir da leitura de suas histórias, fotos e desenhos, tão reveladores de suas vidas quanto os textos que os referendam.




Guia de Saúde - doenças sexualmente transmissíveis e aids

Publicado pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües, 1998 (mimeog.).




O Guia de Saúde foi elaborado como parte do "Projeto de Prevenção das DST/AIDS nas Escolas Ticuna: Formação de multiplicadores de Informações", desenvolvido entre 1997 e 1998 pela OGPTB com apoio do Ministério da Saúde.
As atividades deste projeto integraram o currículo do Curso de Formação de Professores Ticunas - Ensino Médio com Habilitação para o Magistério. Foram abordadas as formas de transmissão das DST e da aids, medidas preventivas, e a forma mais adequada de conduzir essa discussão nas escolas e comunidades. Os procedimentos de prevenção foram construídos a partir das próprias concepções ticunas sobre saúde e sexualidade.






Direitos Indígenas e Cidadania

Publicado pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües, 2000 (mimeog.).






Essa publicação reúne a legislação referente aos povos indígenas do Brasil - incluindo as leis e resoluções que tratam da educação escolar indígena -, e outras leis e documentos relativos à saúde, meio ambiente e educação.
Todos os documentos foram discutidos e analisados durante os cursos de formação de professores, com a orientação de advogados e outros consultores do projeto.









Proposta Curricular das Escolas Ticunas

Publicado pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües, 2002 (mimeog.).




A Proposta Curricular das Escolas Ticunas foi elaborada entre 2000 e 2001, durante as últimas etapas do Curso de Formação de Professores Ticunas - Ensino Médio com Habilitação para o Magistério, promovido pela OGPTB, e destina-se às séries iniciais do Ensino Fundamental. O processo de sua preparação envolveu professores ticunas e consultores do Curso que juntos trabalharam temas, objetivos, conteúdos e desenvolveram metodologias de aplicação da Proposta nas escolas. Também foram organizados materiais complementares, como os cadernos de planejamento, entre outros.







Cartazes


Os cartazes compõem outra ordem de material didático produzido pela OGPTB. Sua elaboração está vinculada aos diferentes projetos e programas, sendo usados na escola e em ações que se estendem à comunidade, como campanhas e debates sobre questões de saúde e meio ambiente. São distribuídos em diversos locais das aldeias e também em escolas e outras instituições das cidades da região.






Vamos evitar a aids

















Vamos cuidar da nossa terra













No futuro, as crianças vão nos encontrar?













Vamos cuidar da nossa saúde
Vamos cuidar dos nossos dentes












Vamos escovar os dentes todos os dias



















Vamos cuidar dos lagos da várzea













Vamos conservar as madeiras da várzea













Na várzea a plantação cresce bonito













Vamos defender a vida da floresta













Vamos produzir nossos alimentos













Vamos defender a vida da floresta













Lançamento dos cartazes de educação ambiental



Os primeiros lançamentos dos cartazes de educação ambiental aconteceram entre junho de 2005 e fevereiro de 2006 nos municípios de Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tefé e Alvarães. Em alguns locais, além dos professores, alunos, pais de alunos, agentes de saúde e lideranças, a cerimônia de lançamento teve a presença de representantes da Prefeitura Municipal, das Secretarias de Educação, Meio Ambiente, Saúde, Assuntos Indígenas, entre outras, da Câmara Municipal e Conselho Tutelar, de associações de pescadores, artesãos e beneficiadores de castanha, Sindicato de Trabalhadores Rurais, Grupo de Trabalho Amazônico, Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas, Funai e organização dos Cocamas (OGCCIPC), Witotas (AWAS), Cambebas (OCAS), Caixanas (COICAS) e Ticunas (CGTT, FOCCITT e ACISPO).

Receberam cartazes 86 escolas ticunas, 10 escolas de outras etnias e 8 escolas de não-índios, os centros comunitários das aldeias e postos de saúde, e também as instituições e associações, chegando a um total de 1.626 cartazes distribuídos.

Por onde se passava, as pessoas das aldeias ficavam muito alegres e animadas com o trabalho da OGPTB. Crianças, jovens, adultos e velhos iam para os lançamentos, e em muitos lugares as pessoas da comunidade preparavam vinho de açaí ou caiçuma para festejar. Os caciques falavam sobre os temas dos cartazes, da beleza das ilustrações, e assim surgiam muitas conversas entre os presentes sobre a necessidade de conservar as riquezas da várzea, das terras demarcadas, os problemas que existem, o que vem causando esses problemas e como podemos resolvê-los. Foi um trabalho muito emocionante, porque vimos a escola e a comunidade pensando junto os seus problemas ambientais.


Constantino Ramos Lopes
Assessor e administrador do Projeto Educação ambiental e Uso Sustentável da Várzea em Áreas Indígenas Ticunas do Alto Solimões